terça-feira, 30 de agosto de 2016

Delta

Ah, a vida era bem mais fácil quando não se tinha perspectiva.
Quando tanto fazia o amanhã, ás vezes cogitando nem mesmo ter um.
Mas as coisas mudam muito quando você começa a almejar alguma coisa
e agora a incerteza é aterrorizante.
Fui inventar de querer o difícil, ainda por cima.
Um certo gosto por superar as dificuldades,
provar para todos a minha capacidade e,
mais importante ainda, provar à mim mesma.
Tem dia que é só desânimo e tem dia que a gente sente as coisas fluírem.
No restante dos dias, a gente corre atrás.
Sua a camisa, sente as dores físicas e emocionais, perde noites, ganha dias, descobre, inventa, reinventa, ajuda e é ajudado, não pára.
Só não pára.
Se parar a gente perde fôlego, se torna inconstante.
Malditas variáveis.


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Relações superficiais

Você está tecnicamente protegido, percebe que não há cobranças e ao mesmo tempo não tem ao certo com quem contar.
Tem aqueles amigos pra tomar uma cerveja ou um café, conversar frivolidades, mas ninguém para contar aquela sua dor na alma ou seus medos.
E a culpa (talvez) nem seja deles, afinal, você é que julga tal desinteresse mas nunca os deu uma chance. Ou talvez tenha dado e algo tenha saído errado? É difícil dizer, nossa memória é seletiva, às vezes pensamos numa ordem de fatos que na realidade fora outra.
O bom é que você não precisa de ninguém, não de verdade, pelo menos. Ou será que você também se convenceu disso?
Ficar sozinha não é ruim.... Ruim é se sentir só. Esse é o verdadeiro veneno, que vem em doses pequenas. Contudo, não nos sentimos envenenar, há a ilusão de que as coisas estão melhores assim.
E junto vem o sentimento de que a recíproca é verdadeira (talvez até seja....mas talvez não?) e começamos a aceitar que as pessoas não te contam as coisas porque não gostam de você ou que te chamam para sair apenas por obrigação, enquanto você também não os convida para sair nem conta detalhes da sua vida privada.
Será que é mesmo necessário aprofundar relações? Não bastam as superficiais? Será mesmo preciso fazer parte de grupos? Por que me sinto excluída de todos eles? Por que não consigo me considerar aceita?
Preciso de alguém imparcial para responder à essas perguntas.
Na realidade, eu vou só fumar um cigarro mais tarde, pensando que pode ser ele o que irá me matar e que talvez ninguém vá ao meu enterro.
(E um último pensamento antes de dormir: "Mas não seria melhor assim?")