quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Falo no plural mas talvez seja só eu

A gente se esforça muito pra ser e fazer as atividades diárias da melhor forma possível
e se convence de que está se colocando em primeiro lugar.
Mas essa face é só uma máscara porque na verdade, quanto às opiniões de outras pessoas,
a gente se importa demais, sofre demais.
Não sente ser o suficiente e isso parece sugar o seu ser.
Nos preenchemos de lágrimas, então.
Choramos o caminho inteiro na volta pra casa,
lidando com mais olhares e julgamentos pelo choro e cara inchada.
Mas a essa altura já não dá pra controlar as crises de choro.

domingo, 30 de outubro de 2016

O mundo dos outros

Tenho o grande problema de problema dos outros.
Carrego comigo gentileza e sofrimento.
Muita boa vontade em tentar resolver os problemas de todo mundo
e me virar pra lidar com os meus.
Sozinha.
Mesmo que às vezes partilhe fragmentos do que me aflinge,
sempre penso em como o que eu sinto pode aflingir outras pessoas.
Ninguém nunca sabe minha história inteira
e eu também não sei a história inteira de ninguém.
Mas o que eu sei se totaliza na junção do que me foi dito
e das situações que vivencio.
Me viro.
Mania de carregar mundo nas costas:
o meu e o dos outros.

(vou comprar mais um maço)

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Delta

Ah, a vida era bem mais fácil quando não se tinha perspectiva.
Quando tanto fazia o amanhã, ás vezes cogitando nem mesmo ter um.
Mas as coisas mudam muito quando você começa a almejar alguma coisa
e agora a incerteza é aterrorizante.
Fui inventar de querer o difícil, ainda por cima.
Um certo gosto por superar as dificuldades,
provar para todos a minha capacidade e,
mais importante ainda, provar à mim mesma.
Tem dia que é só desânimo e tem dia que a gente sente as coisas fluírem.
No restante dos dias, a gente corre atrás.
Sua a camisa, sente as dores físicas e emocionais, perde noites, ganha dias, descobre, inventa, reinventa, ajuda e é ajudado, não pára.
Só não pára.
Se parar a gente perde fôlego, se torna inconstante.
Malditas variáveis.


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Relações superficiais

Você está tecnicamente protegido, percebe que não há cobranças e ao mesmo tempo não tem ao certo com quem contar.
Tem aqueles amigos pra tomar uma cerveja ou um café, conversar frivolidades, mas ninguém para contar aquela sua dor na alma ou seus medos.
E a culpa (talvez) nem seja deles, afinal, você é que julga tal desinteresse mas nunca os deu uma chance. Ou talvez tenha dado e algo tenha saído errado? É difícil dizer, nossa memória é seletiva, às vezes pensamos numa ordem de fatos que na realidade fora outra.
O bom é que você não precisa de ninguém, não de verdade, pelo menos. Ou será que você também se convenceu disso?
Ficar sozinha não é ruim.... Ruim é se sentir só. Esse é o verdadeiro veneno, que vem em doses pequenas. Contudo, não nos sentimos envenenar, há a ilusão de que as coisas estão melhores assim.
E junto vem o sentimento de que a recíproca é verdadeira (talvez até seja....mas talvez não?) e começamos a aceitar que as pessoas não te contam as coisas porque não gostam de você ou que te chamam para sair apenas por obrigação, enquanto você também não os convida para sair nem conta detalhes da sua vida privada.
Será que é mesmo necessário aprofundar relações? Não bastam as superficiais? Será mesmo preciso fazer parte de grupos? Por que me sinto excluída de todos eles? Por que não consigo me considerar aceita?
Preciso de alguém imparcial para responder à essas perguntas.
Na realidade, eu vou só fumar um cigarro mais tarde, pensando que pode ser ele o que irá me matar e que talvez ninguém vá ao meu enterro.
(E um último pensamento antes de dormir: "Mas não seria melhor assim?")

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Sobre hábitos ruins

Apaguei a luz e fiz miose
Curiosamente vi o que a luz não me mostrava
Apaguei a luz e fumei um cigarro
E curiosamente concluí o que pensava

Ver e concluir
Que às vezes
Ser o que és
Pode ser desagradável
Quando terceiros
São o que são.

Mas concluir não basta.
Não quando colocar em prática no dia seguinte depende de outrem.

Até que ponto descobrir ajuda?
(Ajuda?)
Até que ponto adianta?
(Atrasa?)

Ah, irremediável essência.
És tu o verdadeiro problema.
E problemática.


domingo, 24 de abril de 2016

A esperança é a última que morre?

Era uma vez uma garota que só andava olhando para baixo
pois sempre tinha a esperança de encontrar um tesouro na rua.
Assim, um belo dia ela atravessou fora da faixa e morreu atropelada.

Mas morreu cheia de esperança.

domingo, 3 de abril de 2016

A gente acorda sem respostas

Às vezes a gente acorda tão questionador
Que a gente questiona o deus dos outros
Uma vez que já questionamos tanto o nosso
Que ele nem existe mais.

Ás vezes alguém pergunta se está tudo bem
Ora, se eu não tenho resposta
pros meus questionamentos
que dirá os seus.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Sobre os problemas:

Eu os guardo, eles se acumulam e numas noites eu choro e não consigo dormir.



(Deviam ensinar nas escolas o quão corrosivo isso pode ser,
mas tem tanta coisa que eles não ensinam nas escolas...)

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Insônia.
Perfeita para ler um livro
ou desenhar
ou escrever
ou repensar.

Mas eu só queria dormir.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Súplica

textos e poemas
escritos para clarear
a mente de quem os escreve
mesmo que isso acabe por iluminar
o que devia permanecer sem luz

mesmo que isso acabe por destruir
pensamentos ao longo de muito
construídos

mesmo que isso acabe por acabar
por completo
com o que outrora fora o autor

mas, por favor, que acabe.

Quem diz?

Tremendo
não querendo
falando demais
o que já devia ter sido falado
mas por motivos 
jamais entendidos
nunca fora dito
só sentido
ferido
guardado.

por pra fora dói
guardar dói
viver dói
e dói.

Sair,
como?
Vai ver que eu sou mesmo essa pessoa horrível.
Ah.
Assim a saída fica mais clara.
(ou será só o escuro falando por mim?)

domingo, 17 de janeiro de 2016

Tenho medo de perder as pessoas.
Não temo o abandono, mas a fuga da existência.
Sei como é a sensação de querer não mais existir
e me preocupa saber que outros ao meu redor
também circulam por esses vales.

Não sei lidar. 
Quero ser luz pra essas pessoas mas sinto que vivo no escuro.